UM HOTEL, UM LIVRO, UM AMOR

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Paulo Freyre escreveu: saber é abrir espaços de luta.

Para saber é preciso ler, e para ler é preciso haver livros. Todo hotel deve ter pelo menos um livro, e esse livro deve ser o livro de hotel.

 

Porque ler, não se propõe apenas a aprender ou saber. Um livro, seja qual for sua origem ou formato, é muito mais do que um conjunto de páginas; é uma experiência intransferível que une vidas, momentos, lugares, experiências. O livro conduz, vai de mãos dadas, é algo como um guia de viagem. Tem o poder mágico de nos move no espaço e talvez no tempo, nos contata com cenários inesperados. Em suma, convida-nos a deliciarmos com algo aparentemente tão frágil como uma palavra.

E é justamente em um hotel, longe das pressões do dia a dia, em um ambiente de sonho, que podemos nos abrir para uma nova historyia, quando podemos ouvir o tema do filme “Los Girasoles”, quando nosso corpo está mais confortável, quando nossa vista não se mostra cansada, quando podemos parar em cada ponto, em cada vírgula e até mesmo voltar em busca das folhas que deixamos para trás.

Todo livro, como toda geografia, nos encoraja, nos repreende, nos provoca, nos transforma, nos convida a lutar, nos incita a mudar algo que aceitamos como inexorável e, às vezes pode nos imergir em cavernas escondidas mas, se for assim, também nos show a saída e ainda teremos alguns momentos para considerar a proposta.

Quando a necessidade de ficar sozinho é maior, quando as luzes começam a se acender gradativamente, quando o jardim parece vazio, quando a sala fica estranha, há o livro impondo sua presença, pedindo para ser escolhido, dizendo que estou aqui, não me ignore, tira-me do escuro.

Porque a essência de um livro é a clareza, porque aí está o seu ậmago , a mesma luz que nos espera no final da caverna, embora às vezes optemos em permanecer nela.

Ė possível que nossos livros viajem dentro da bagagem, mas também é possível que fiquem nas malas e voltem tão fechados quanto saíram.

Porque com os livros acontecem o mesmo que no amor. Não vale a pena escolhê-los, é preciso encontrá-los e deixá-los nos surpreender, nos deslumbrar, esperando em silêncio por nós em algum lugar que nos seduza com um título, com a cor do papel, com a textura de suas capas.

Esse momento adquire uma densidade única, apenas comparável àquela proporcionada pela chegada a um destino há muito imaginado. Magicamente nascerá um vínculo indissolúvel com os protagonistas da história que o livro vai lhes contar e essas são as experiências compartilhadas que não são esquecidas. Muito pelo contrário, eles são aprimorados.

E se esse livro for o LIVRO DE HOTEL, o encontro vai ser ainda mais cativante e a partir desse momento, a sua pequena anatomia irá acompanhar-nos pelos corredores, vāo nos mostrar paredes que já não existem, vão listar os objetos que nos rodeiam um a um, e finalmente nos convide para o spa.

Por isso, uma recomendación especial a todos los Hoteleiros: não perca aquela cena que marca o início de um idílio. Não se prive da imagem que o hóspede oferece ao fazer contato pela primeira vez com o Livro do seu Hotel que talvez permaneça esquecido sobre uma mesa de centro.

Não permita que o passiro saia sem o livro assinado por você na bolsa. Se isso acontecer, é muito provável que o viajante retorne para reclamar as páginas que ele próprio fez.

 

 Formadores AC – Irma de Tribulieg

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